Nesse caso, Nena, eu sou bem chato mesmo (e tem como não ser?).
Há pessoas que realmente têm bom senso no uso das coisas coorporativas, mas, infelizmente, nunca vi uma dessas andando por aí. Impressionante.
O advento da internet trouxe, concatenada à velocidade comunicação, uma necessidade premente de manter-se à frente de um computador com a desculpa (por vezes inconsciente) de que não se consegue mais viver com a idéia de estar desatualizando-se, seja de informações úteis ou as mais inúteis.
Sem querer tergiversar sobre o amplo espectro que a internet nos oferece, vamos restringir o nosso papo de hoje em: internet fixa, MSN, Orkut, espaço profissional, produtividade e bom senso (essa coisa de “palavra-chave” é bacana, admito).Bom, que a internet banda larga veio pra arrebentar com vários paradigmas todo mundo já sabe e fica até cansativo remexer este assunto, embora haja pontos a serem destacados como, por exemplo, o fato de que nós, brasileiros (porque não posso falar dos que moram noutros países por pura e simples ignorância de minha parte em relação à rotina deles) sermos extremamente mal educados no uso desta ferramenta.
No Brasil, país-coração por natureza e por colonização (vide Gilberto Freire) sedimentou em sua base de relações interpessoais o calor, o abraço, o carinho, o toque, a aproximação, coisa que, acompanhando as Olimpíadas, qualquer pessoa normal percebe que não funciona da mesma intensidade na população oriental ou na maioria dos países frios da Europa que se situam acima da metade do mapa do meu WAR edição de luxo.
Pelas bandas de cá, em menos de meia hora, todo mundo vira amorzinho, meu amor, xuxu, meu docinho, meu sapinho cururu e por aí vai. Até certo ponto é engraçado mas tem gente que leva a sério.
O jovem mediano brasileiro, que possui um perfil no Orkut, por exemplo, adora abrir sua pagina de 5 em 5 minutos para sentir-se privilegiado em encontrar novas mensagens em seu scrapbook. Não sei ao certo, em termos psicológicos, o que isso significa mas a turma sente uma necessidade desesperada em ver-se lembrado pelos amigos, informados de qualquer assunto, por mais bobo que lhe pareça, tudo para dar uma impressão de que há algo nele mesmo que o torna especial pelo simples fato de ter muitos “conhecidos” no Orkut como se o número de agregados virtuais o tornasse mais importante ou diferenciado, ou prestigiado, ou amado.
Essa carência de afeto real pode ser um espelho do que ele representa para si próprio e ai descambamos para a área psicológica mesmo. Um ser humano que necessita de acolhimento virtual permuta essa necessidade do seu campo físico, tornando isso uma situação mais aconchegante.
O leitor ao chegar aqui neste ponto pode bradar: “pera lá, Matheus. Também não é assim não, bicho.”
Infelzimente, amigo, é assim mesmo. O problema é que, na maioria das vezes, essa substituição é nivelada pelo subconsciente. Ninguém o admite por ter ciência de que se trata de uma fraqueza. Alias, há gente que vive e morre agindo assim e, ao chegar na erraticidade, tem certeza de que foi uma pessoa normal. Ahahahahh !!
Como posso achar normal uma pessoa que cria se desespera ao chegar em casa, depois de um longo dia de trabalho e não encontra um scrap se quer no seu perfil? Da mesma forma que não acharia normal um ser que chega em casa e fica a ponto de se jogar pela janela só porque não havia nenhuma mensagem em sua secretária eletrônica (isso há 10 anos, claro).
Já tive “amiga” que rompeu relações comigo porque eu não compareci à sua festa de aniversário. Ué, a menina marcou numa quinta-feira, no Downtown, véspera de um trabalho importante que eu tinha e ela achou que “amizade é mais importante do que qualquer coisa, Matheus”. Concordo com ela. Amizade sincera, realmente é mais importante do que qualquer coisa, inclusive festinhas de aniversário.
Já tive “amigos” que ficaram emputecidos só porque, por motivos por mim já citados neste blog em post anterior, foram bloqueados na lista do MSN.
Bom, tergiverso, porém chegarei ao ponto. E não quero mais me enveredar pelo âmbito mental pois isso é assunto pra um livro de 400 páginas sem fotos.
Voltemos, pois.
Essa necessidade desesperada de manter-se em contato com o resto do mundo é o que vem a ser o assunto destas mal traçadas linhas (como diria José Teles). Quando trabalhei numa rede de lojas de telefonia celular eu tinha, sob meu comando, 5 lojas, um escritorio e 72 funcionários. Eram cerca de 25 computadores conectados em banda larga (por se tratar de um dos produtos vendidos pela empresa), a média de idade (se isso tem alguma coisa a ver com assunto) dos funcionários não passava de 20 anos, e a falta de bom senso no uso da internet em horário de trabalho eram inenarrável.
De nada adiantou as diversas conversas que tive com vendedores, de nada adiantou as explicações sobre a relação internet x produtividade para os gerentes porque eles mesmos estavam inclusos no rol dos que se aproveitavam da facilidade para dar umas escapadelas.
Qual a solução sem ser taxado de escroto?
NENHUMA.
Tive que vestir a armadura de terrível-chefe-opressor-das-massas-indefesas e sai bloqueando tudo.
Fui, de máquina em máquina ativar o bloqueio de conteúdo do IE. Listei os sites que eram úteis para o uso especifico da máquina durante o serviço e pronto. Priu! Como conversa e educação não conseguiam comover a turma eu tive que partir pra ignorância mesmo, tolerância zero pra todo mundo entender que eu não estava brincando. Claro que gerou problemas, principalmente para os que nada tinham com isso e usavam, na medida certa uma conectada pessoal uma ou duas vezes por dia, sem atrapalhar o seu trabalho. Só que quem tem o incubência de responder por resultados não pode, infelizmente, pensar em quem acerta e sim nos que insistem no erro, por ignorância ou por traquinagem.
A situação era mais ou menos como a Lei Seca: se ninguém entende quando eu falo, então eu veto.
E Priu! (de novo).
MSN, só no escritório e nos computadores da gerência, afinal de contas é, apesar dos pesares, uma utilíssima ferramenta de trabalho, ainda mais quando a diretoria das pequenas empresas não querem investir em pacotes de escritório como Lotus Notes, ou desconhece o uso de ferramentas como o Google Docs, por exemplo.
Sobre o MSN ainda tinha um detalhe. Criei um contato especifico para cada usuário, ou seja, a gerente da loja do Shopping Matsubara (nomes fictícios, claro) seria oi_matsubara@hotmail.com e não gatinhalinda84@hotmail.com , o contato do gerente de produção seria “oi_produção@hotmail.com” e não joaozinhodasnega@hotmail.com e assim por diante. Outra coisa, eu também criei uma imagem de avatá para cada loja. Peguei a logo da Oi em fundo com as cores oficiais da empresa e colocava o nome da loja… então a gerente da Oi Matsubara so podia usar a imagem “oi matsubara avatá. Jpg” nada além disso. Nada de gerente usando fotos do último decote comprado na promoção e nada do gerente de estoque expor fotos do churrasco do final de semana.
Déspota?
A meu ver, não.
Organização, produtividade, uso consciente e ser feliz. E quem quiser viver de bate papo que vá pra casa.Hasta.